segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Esquema de leitura: Fundamental causes of the environmental crisis, Barry Commoner

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: COMMONER, Barry. Fundamental causes of the environmental crises, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 33, p. 206 a 214.


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** O ambientalismo dos anos 1960 se insere em um contexto maior de questionamentos, desordens internas e insatisfação social >> Contracultura. 


** Barry Commoner, biólogo, autor de "The Closing Circle", conecta o movimento ambientalista a mazelas sociais tais como a guerra, as desigualdades raciais e a pobreza. Orienta que se avaliem os custos e os benefícios das novas tecnologias.


** "Explosão" do movimento ambientalista na década de 1960, atraindo biólogos, sociólogos, engenheiros, ecólogos, urbanistas, médicos... As causas dessa "explosão" não podem ser explicadas apenas pelas mazelas ambientais, dado que poluição do ar, degradação do solo, inexistência de local adequado para lançar rejeitos, etc., não eram novidade.


** Encontro na Universidade de Michigan. Reuniu cientistas, militantes, sindicalistas, representantes das grandes indústrias. Principais preocupações, as quais, de alguma forma, estão relacionadas com as preocupações ambientais:
  • Conservação;
  • Responsabilidade dos cientistas pelas consequências sociais da ciência e da tecnologia;
  • O movimento de consumidores;
  • As demandas da juventude por meios de vida mais humanizados;
  • As preocupações dos homens de negócios do impacto dessas demandas sobre os lucros das empresas;
  • Os guetos e a degradação urbana;
  • O pacifismo;
  • O papel dos estudantes no enfrentamento dos sistemas econômico e político.


** Existência de uma forte inter-relação entre guerra e degradação ambiental: o ambientalismo pode ser visto como uma espécie de derivação do movimento pacifista (em especial contra a guerra do Vietnã).
  • Barry Commoner estudou as consequências da radiação (proveniente dos testes nucleares realizados ao longo da década de 1950) na saúde humana e no meio ambiente. 
  • A indústria armamentista é uma das mais proeminentes nos EUA.
  • A indústria e a agricultura estadunidenses obtiveram grandes lucros investindo, justamente, em produtos e tecnologias agressivas ao meio ambiente e à vida humana. 
  • "Socialização dos prejuízos ambientais". Exemplo: a produção de energia à base de carvão ou de petróleo causa degradação ambiental e problemas de saúde. Além de pagar pela energia, os cidadãos têm gastos adicionais com saúde, higiene, sem mencionar a redução na expectativa de vida. Ocorre que esses custos não são suportados pelas empresas que produzem energia. 
  • As atividades econômicas poderiam "internalizar" os custos da poluição. Mas o fato de ainda não o terem feito sugere que essa internalização pode comprometer a própria existência do negócio.
  • Incapacidade humana de prever todas as mazelas que as suas novas tecnologias podem causar. Exemplos: degradação de longo-termo provocada pelo Agente Laranja, no Vietnã; poluição hídrica provocada por detergentes; persistência, por longos anos, de pesticidas no solo; 


** Existência de inter-relação entre a degradação ambiental e a discriminação racial contra os negros. Os negros (em especial os pobres) são as principais vítimas da degradação ambiental. Isso porque, enquanto os cidadãos brancos podem fugir do ar poluído, do barulho da cidade, dos ratos, das baratas de esgoto, do excesso de carros e da sujeira das ruas ao se refugiarem em suas casas situadas em belos e afastados subúrbios, os cidadãos negros têm que conviver em guetos, constantemente atormentados por todas essas mazelas. 


Diversamente do que ocorre com os negros e com os pobres, para os americanos brancos e de classe média, a sobrevivência nunca foi um problema.


** Crítica a Erhlich: a principal causa da poluição não é o incremento populacional (tese de Paul e Anne Ehrlich). De fato, a população humana não pode continuar crescendo no ritmo das últimas décadas, sob pena de não haver recursos naturais disponíveis para alimentar a todos. Mas as principais causas de poluição são independentes do tamanho da população: elas estão mais associadas às novas tecnologias, cujos efeitos desconhecemos.

Between 1946 and 1966 total utilization of fertilizer increased about 700 per cent, electric power nearly 400 per cent, and pesticides more than 500 per cent. In that period the US. population increased by only 43 per cent. This means that the major factor responsible for increasing pollution in US. since 1946 is not the increased number of people, but the intensified effects of ecologically faulty technology on the environment. p. 211.

** Não existem soluções rápidas e fáceis para os problemas ambientais. Elas demandam escolhas radicais, excludentes e difíceis: "Our major technologies -- power production, transport, the metal and chemical industries, and agriculture -- are a threat to the ecosystems that support them and to our very lives. Because we reckon the value of a technology by the value of its marketable products, we have neglected their cost to society -- which is, potentially, extinction". p. 212 e 213.


** Raiz comum dos maiores problemas dos EUA: forma de utilizar os recursos naturais. 
  • Todos (inclusive os agricultores e a indústria) devem ser convocados a responder o questionamento: "como a sociedade deve se organizar para resolver a crise ambiental que, em última instância, ameaça a nossa sobrevivência?"
  • É essencial que os cidadãos recebam informações verdadeiras a respeito das novas tecnologias e dos seus impactos na saúde humana, de modo a poderem decidir qual futuro querem para si.
  • Talvez o grande poder da tecnologia -- ainda por ser descoberto -- seja permitir que os humanos vivam em relativa harmonia com a natureza, e não simplesmente controlá-la.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Esquema de Leitura: Overpopulation, Paul Ehrlich

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: EHRLICH, Paul. Overpopulation, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 32, p. 202 a 205.
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** Tal como "Silent Spring", "The population bomb" ("A bomba populacional"), foi um dos livros mais vendidos e mais influentes nos EUA na década de 1960. 
  • O trabalho de Paul e de Anne Ehrlich chocou o público norte-americano ao chamar a atenção para um problema que já estava em avançada gravidade. Embora os alertas sobre superpopulação já fossem conhecidos desde Thomas Malthus, as imagens da Terra obtidas a partir do espaço deixaram clara a noção de que a Terra era finita, com recursos limitados.   
  • Paul e Anne Ehrlich atribuíam a degradação ambiental à superpopulação e previam a ocorrência de uma grande fome em curto lapso temporal. As fomes na Etiópia e no Sudão, durante a década de 1980, pareceram corroborar o argumento dos autores. 

** Nos anos 1970, argumentavam Paul e Anne Ehrlich, milhares de pessoas morreriam de fome. Os esforços tecnológicos para incrementar a capacidade produtiva da agricultura poderiam remediar apenas parcialmente a questão. Mas era fundamental controlar as taxas de natalidade, sob pena de extinção da espécie humana.
Nothing could be more misleading to our children than our present affluent society. They will inherit a totally different world, a world in which the standards, politics, and economics of the 1960's are dead. As the most powerful nation in the world today, and its largest consumer, the United States cannot stand isolated. We are today involved in the events leading to famine; tomorrow we may be destroyed by its consequences. p. 203.   

** Prognóstico:
  • As taxas de natalidade nos EUA deveriam ser controladas, ainda que compulsoriamente.
  • O poder político dos EUA deveria ser usado para impor controle de natalidade e incremento agrícola aos demais países.
  • Pari passu, o meio ambiente deveria ser objeto de recuperação, de modo a evitar que a superpopulação viesse a provocar danos irreversíveis ao Planeta Terra.

** O autor já havia compreendido intelectualmente o problema da superpopulação. Mas a sua compreensão emocional ocorreu durante uma viagem à Índia, em um trajeto de carro dentro de Nova Déli. 

** Os primeiros a sentir a grande fome seriam os países subdesenvolvidos. Mas os países ricos não estariam imunes ao fenômeno. 
Americans are beginning to realize that the undeveloped countries of the world face an inevitable population-food crises. Each year food production in underveloped countries falls a bit further behind burgeoning population growth, and people go to bed a little bit hungrier. [...] it now seems inevitable that it will continue to its logical conclusion: mass starvation. p. 204

** Números >>
  • Em 6000 a.C., a população humana era de 5 milhões de indivíduos;
  • Em 1650 d.C., a população humana era de 500 milhões de indivíduos, ou seja, ela dobrou a cada 1000 anos;
  • Em 1850 d.C., a população humana era de 1 bilhão de indivíduos, ou seja, ela dobrou em  apenas 200 anos. 
  • Em 1930 d.C, a população humana era de 2 bilhões de indivíduos, ou seja, ela dobrou em 80 anos.
[...]. There is not enough food today. How much there will be tomorrow is open to debate. If the optimists are correct, today's level of misery will be perpetuated perhaps two decades into the future. If the pessimists are corrects, massive famines will occur soon, possibly in the early 1970's, certainly by the early 1980's. p. 205.

Esquema de leitura: Pollution, Presidents Science Advisory Comitee

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: President´s Science Advisory Comitee. Pollution, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 31, p. 195 a 201.

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** Tanto maior o desenvolvimento tecnológico e a afluência de uma sociedade, tanto mais necessário o manejo dos rejeitos, que produzem poluição.



Pollution problems will increase in importance as our technology and standard of living continue to grow. p. 195.


** Quando os pioneiros chegaram à América, encontraram uma terra fértil, pródiga em recursos naturais e capaz de absorver o impacto da colonização. Por isso, a população humana cresceu exponencialmente.


** Grandes concentrações urbanas e o desenvolvimento técnico resultaram em enormes quantidades e diversidade de rejeitos, os quais foram lançados indiscriminadamente no ar, nas águas, na terra, contaminando os recursos naturais dos EUA. 
  • As águas do mar estavam poluídas; a fertilidade do solo estava comprometida por substâncias poluentes; registrava-se mortandade de peixes em decorrência de lançamento de fluidos poluentes nos rios, estuários e lagos; insetos polinizadores e insetos foram igualmente contaminados por pesticidas; pinguins da Antártica carregam resíduos de pesticidas em seus corpos.  

** Os recursos naturais dos EUA pertencem às gerações presentes e às gerações futuras: a sua (in) disponibilidade será determinante para a perpetuação do Welfare State, motivo pelo qual tais recursos devem ser preservados (questão de interesse público). 



** Necessidade de o Governo Federal assumir a liderança no combate à poluição, dado (a):
  • que a poluição não respeita divisas e fronteiras;
  • que a União já era responsável por administrar vastas extensões de terras destinadas à preservação da wilderness, terras essas que podiam ser duramente degradadas caso a questão ambiental fosse deixada ao laissez-faire
  • a complexidade das questões técnicas, econômicas e políticas que estão envolvidas na preservação ambiental. 

** Os humanos formam apenas uma entre as várias espécies que existem e a nossa espécie é fortemente dependente das demais. Animais fornecem seda, mel, marfim, couro, pérolas aos humanos, sem mencionar os alimentos. Vegetais promovem fotossíntese e produzem oxigênio. Igualmente, fornecem centenas de princípios ativos e essências que fazem parte do nosso dia a dia.

  • Em pequenas quantidades, a poluição representa mudanças quase imperceptíveis: menores taxas de natalidade entre aves e peixes, por exemplo. Em altas quantidades, a poluição provoca mortandade de animais (morte de peixes, desaparecimento de abelhas) e de vegetais, além de ameaçar ou comprometer a saúde humana. 
  • Os efeitos da poluição são rapidamente percebidos nas lavouras, pelos agricultores. Os efeitos da poluição na vida selvagem são de mais difícil visualização e quantificação. O desaparecimento ou a diminuição catastrófica de populações  de seres vivos ocorrem antes que reconheçamos os efeitos da poluição. 


Pollutants tend to reduce the numbers of species, and to make the relationships of those that remain less stable. p. 198.


** A poluição também produz efeitos econômicos adversos, destruindo ou prejudicando recursos naturais caros aos seres humanos. Ela extingue espécimes de peixes valiosos para a pesca amadora ou para a alimentação, contamina os recursos hídricos, contamina os solos, destrói lavouras, prejudica construções e monumentos.    

Pollution touches us all. We are at the same time pollutors and sufferes from pollution". Today, we are certain that pollution adversely affects the quality of our lives. In the future, it may affect their duration. P. 199.   

** Nos EUA dos anos 1960, havia uma agência para lidar com cada tipo de poluição. Uma cuidava da contaminação por radiação. Mas determinados tipos de poluição não eram tratados por nenhuma agência governamental, até que um problema específico ocorresse (poluição do ar e da água) ou, pior, mesmo que problemas específicos ocorressem (contaminação do tabaco por resíduos de pesticidas).   

  • Necessidade de regulamentação das atividades poluentes. Estabelecimento de padrões de qualidade ambiental;
  • Adoção de tecnologias para a mitigação de impactos ambientais; 
  • Formação de um corpo técnico especializado em questões ambientais. Incentivo e fomento em favor da formação de pessoas capazes de desenvolver novas tecnologias.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Esquema de leitura: Beautification, Lyndon Johnson.

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: JOHNSON, Lyndon B. Beautification - n. 29, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 29, p. 181 a 186.


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** Mensagem presidencial ao Congresso dos EUA. 

** Os americanos tiram força e inspiração das belezas naturais do seu país. 

** Embora sejam reconhecidamente uma herança que deva ser preservada em favor das gerações futuras, nos últimos anos, a modernidade avançou sobre áreas naturais, depredando-as. 

** Como efeito do avanço da modernidade sobre a wilderness, muitos americanos estão sendo privados de viver cercados de paisagens decentes ("to live in decent surroundigns").

** A modernidade traz confortos, mas também tem um lado negro. Os seus resíduos -- carcaças de veículos, eletrodomésticos ultrapassados, etc -- estão fora de controle e prejudicam a higidez dos diversos ecossistemas. Necessidade de restaurar habitats e reabilitar cidades norte-americanas.
To deal with these new problems will require a new conservation. We must not only protect the countryside and save it from destruction, we must restore what has been destroyed and salvage the beauty and charm of our cities. Our conservation must be not just the classic conservation of protection and development, but a creative conservation of restoration and innovation. Its concern is not with nature alone, but with the total relation between man and the world around him. It's object is not just man's welfare but the dignity of man's spirit. P. 182.

** A "beleza", característica das paisagens naturais, deve ser parte do cotidiano de todos os americanos (brancos, negros, pobres, ricos, católicos, protestantes, etc.), e não apenas acessível durante as férias. 
  • Acesso físico e social à beleza.
  • A beleza é um recurso formador da identidade americana. O contato com a natureza reaviva o espírito humano e fomenta a sua criatividade. 

**
 Feiura custa caro. É muito mais dispendioso e difícil recuperar uma área degradada do que preservá-la. Isso sem mencionar que o contato com o feio degrada a existência humana: provoca ansiedade e toda a sorte de distúrbios mentais.


** Beleza versus Feiura seria um critério instintivo para as ações, para o planejamento, para a construção, para o crescimento econômico.

** O Estado deve intervir no domínio econômico para incentivar a proteção ao patrimônio natural e histórico nacional. Investir nisso é investir na formação do povo americano.
  • Embelezamento das estradas. Os EUA eram (e ainda são) marcadamente rodoviaristas. Embelezar as estradas é uma forma de prover a todos algum contato com a natureza. O embelezamento das estradas demanda, além do paisagismo em suas margens, o seu planejamento e desenho, valorizando paisagens e cidades.
  • Cuidados com os grandes rios dos EUA, cuja beleza e cujo potencial energético e de transportes deve ser preservado.
  • Construção de trilhas (estradas, calçadas e ciclovias) próprias para ciclistas, cavaleiros e pedestres, dentro e ao redor das cidades.
  • Cuidados com a disposição de resíduos sólidos. Estado, proprietários de terras e cidadãos devem cuidar para que o lixo não contamine os recursos naturais: de rejeitos de canos a automóveis velhos.
  • Educação do público.   


The beauty of our land is a natural resource. Its preservation is linked to the inner prosperity of the human spirit. P. 186.

The tradition of our past is equal to today's threat to that beauty. Our land will be attractive tomorrow only if we organize for action and rebuilt and reclaim the beauty we inherited. Our stewardship will be judged by the foresight with which we carry out these programs. We must rescue our cities and countryside from blight with the same purpose and vigor with which, in other areas, we moved to save the forests and the soil. P. 186.  

Esquema de leitura: Introdução à Parte 4, R. Nash, American environmentalism.

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: NASH, Roderick. Part Four, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, p. 187 a 189.


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** Após os anos 1960, o utilitarismo enfraqueceu em favor da qualidade em matéria ambiental. Qualidade ambiental passou a incluir, além das belezas cênicas e das amenidades recreativas, a saúde do habitat.


** O termo "Conservação" foi substituído pelo termo "ambientalismo". 


** Nessa época, entre o final dos anos 1960 e os anos 1970, o vocábulo "Ecologia" recebeu conotações sagradas. Nash denomina as ideias da época como "The Gospel of Ecology", em contraposição ao "The Gospel of Efficiency", de base utilitarista.


** Multicausalidade:
  • "Contracultura": enquanto o americanismo tradicional incentivava o crescimento, a competição e a afluência, a contracultura incentivava a estabilidade, a comunidade e a simplicidade. E, depois dessa época, mesmo o establishment compreendeu que o bem estar social estava diretamente relacionado à proteção ambiental;
  • Medo também motivou o ambientalismo. Mas não o medo de estar cercado por um mundo feio e destruído, ou de esgotar os recursos naturais. Antes, foi o medo alimentado pelos avanços técnicos, em especial pela Era Atômica. O homem, agora, poderia macular indelevelmente o seu ninho.
  • Fusão da ciência e da ecologia teológica.      
The gospel of ecology resulted from an intellectual fusion of scientific and what might be called theological ecology. The logical of the scientist blended into the intuition of the poet; Western analysis to Eastern mysticism. The result was not just a new science but a civil religion that featured a holistic sense of oneness of ecological community, that could stand the test of both fact and feeling.  P. 188.

  • Primeiras viagens do homem ao espaço, 1968 e 1969. As fotografias da Terra mostravam que a humanidade estava confinada a uma "nave espacial" pequena, finita e frágil. 
From the perspective of space, environmentalism became much more than profitable resources and scenic beauty. It envolved the sancticity of mankind's only home. P. 188.

  • Apoio popular massivo ao ambientalismo, de modo que as duas primeiras ondas de proteção à natureza (The Progressive Era e The New Deal Years) pareceram menores. Notícias: derramamento de óleo em Santa Bárbara, o incêndio do Rio Cuyahoga, em Ohio e a morte do Lago Erie. 

** Richard Nixon assina o National Environmental Policy Act (Política Ambiental Nacional) no primeiro dia de 1970. Criou um Conselho de Qualidade Ambiental vinculado ao gabinete do Presidente da República. 
  • 22 de Abril de 1970: celebração do primeiro Dia da Terra; 
  • 02 de Dezembro de 1970: criação da EPA, a Environmental Protection Agency, como responsável pela fiscalização dos usos da terra e das águas.
  • Efeitos legislativos e judiciais. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Esquema de leitura: Conservation in the 1920s, de SWAIN, Donald.

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: SWAIN, Donald C. Conservation in the 1920s, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 19, p. 117 a 125.


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** Os anos 1920, nos EUA, são considerados como um período de retrocesso para as políticas conservacionista. Essa, entretanto, é uma generalização falsa.

** Ao longo dos anos 1920, a personalidade e a filosofia política de três presidentes republicanos influenciou os programas norte-americanos de gestão de recursos naturais: Warren G. Hardin, Calvin Coolidge, Herbert Hoover. Hardin e Coolidge não prestavam muita atenção à gestão de recursos naturais, de modo que a atividade regulatória do Estado norte-americana minguou. Hoover, por seu turno, demonstrou interesse nos programas nacionais de conservação.
>> Hardin: Mais preocupado com a gestão dos EUA em tempos de guerra. Administrar recursos naturais era uma questão que simplesmente ignorava.
 >> Coolidge: Preocupado com o incremento do orçamento público, mesmo  que à custa do sacrifício dos recursos naturais, insistiu para que a fiscalização do uso dos recursos naturais fosse descentralizada (ou seja, diminuiu o poder e o orçamento das agências ambientais federais). Atrapalhou os programas federais de conservação.


** Hoover: Ao contrário dos seus predecessores, demonstrou interesse pessoal nos programas federais de conservação de recursos naturais. 
>> Lutou, do seu gabinete de Secretário do Comércio em Washington, pela preservação dos recursos pesqueiros do Alasca, pelo controle da poluição hídrica, pelo desenvolvimento do transporte fluvial no território dos EUA.
>> Depois, como presidente, focou-se no desenvolvimento das hidrovias, no controle da emissão de fluidos nos aquíferos e na preservação das reservas de petróleo. 
>> Campanhas pela eliminação do desperdício de recursos naturais: promoção da eficiência. 
>> Ataque à multiplicidade de órgãos federais dedicados à conservação. Lutou pela simplificação da estrutura burocrática dedicada à gestão de recursos naturais.
Another charactersitic Hoover response during the 1920s was descentralization. Influenced here more than elsewhere by the Republican Party, he consistently advocated states rights and state responsabilities. P. 120.  

>> Constituição de grupo de trabalho para discutir a questão das terras públicas federais (inclusive as áreas de pasto, no centro-oeste does EUA, que passavam pela mesma situação descrita por G.Hardin na "Tragédia dos Comuns"). As sugestões do grupo não foram convertidas em lei, dado que desagradavam a diversos setores. 
>> Hoover foi criticado pelos conservacionistas, especialmente pela sua política de transferência de responsabilidades fiscalizatórias aos Estados (atacando uma ideia que lhes era cara, qual seja, a federalização dos parques, reservas, monumentos, etc.). 
Hoover's enphasis on decentralization disappointed many conservationists who had hoped for a resurgence of strong and direct federal conservation participation. The old Progressive conservationists, still greatly influenced by Guifford Pinchot, were particulary disenchanted with Hoover. P. 122. 
>> Hoover foi menos eficiente na criação e execução de políticas conservacionistas do que ele e do que os seus apoiadores gostariam. Contudo, a sua grande contribuição foi ressuscitar o papel do Governo Federal como ente central de construção de políticas conservacionistas. Se é assim, Hoover "abriu caminho" para F.D. Roosevelt, resgatando a figura do presidente da república como líder conservacionista. 


** No final da administração Hoover, ciência e tecnologia eram extremamente valorizados pelos legisladores. Os órgãos responsáveis pela gestão ambiental, favorecidos por essa "onda", acumularam toneladas de dados valiosos obtidos a partir de pesquisas. Até 1933, a burocracia ambiental estadunidense estava aparelhada com o grosso das informações que seriam utilizadas como base para a elaboração do New Deal.
Considerably before the second Roosevelt entered the White House, science and technology had become dominant in resource decisions at the bureau level. P. 123.
As the prestige of research agencies mounted, and as research findings proved more and more valuable in conserving resources, Congress began to lean in the direction of the multiple-propose approach. In matters of water development, the idea of wathershed or river basing planning gained surprisingly wide acceptance. [...]. By the time of the New Deal, resource planning had clearly become respectable. P. 123 e 124. 

** Os preservacionistas, depreciados por Pinchot como "amantes da natureza" ganharam força e prestígio ao longo dos anos 1920, na esteira do crescimento do Serviço de Parques Nacionais. A preservação da vida selvagem e a proteção de espaços de excepcional beleza cênica -- outrora desprezadas como menos importantes -- tornaram-se causas nacionais.
In spite of occasional lapses in federal leadership, the 1920s were productive years in the conservation of natural resources. Stimulated by a heterogeneous group of conservationists, politicians and resource administrators, the federal government led the way to important conservation achievement. Nation-wide forest fire protection became a reality. Federal soil conservation began. [...]. Giant flood control programs for the Mississipi Valley and other rivers took form. An integrated system of inland waterways intersected the great central section of United States. The generation of hydroeletric power for the first time recieved careful consideration in resource planning. A network of migratory birds sanctuaries materialized. The national park became a great american institution, preserving magnificent natural scenes for the edification of future generations. [...]. Contrary to widely held opinion, the national conservation program did not deteriorate in the 1920s. It expanded and matured. P. 124 e 125.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Esquema de leitura: WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz de Andrade Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: WORSTER, Donald. Para fazer história ambiental. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 4, n. 8. 1991, p. 198 a 215. 



** No fim do século XIX e início do século XX, a história era tratada como "política do passado" (conchavos entre autoridades, disputas entre legisladores e presidentes, declarações de guerra e de paz). À medida que o mundo tornou-se mais globalizado e mais democrático, essa historiografia começou a dar lugar ao pensamento das pessoas comuns, observadas as diferenças de gênero, raça, classe ou casta. Finalmente, surgem os historiadores ambientais, que querem encontrar a própria Terra como agente da história.  


A história ambiental é, em resumo, parte de um esforço revisionista para tornar a disciplina da história muito mais inclusiva nas suas narrativas do que ela tem tradicionalmente sido. Acima de tudo, a história ambiental rejeita a premissa convencional de que a experiência humana se desenvolveu sem restrições naturais, de que os humanos são uma espécie distinta e "super-natural", de que as consequências ecológicas dos seus feitos passados podem ser ignoradas. P. 199.

** A velha história portou-se como nós, humanos, não vivêssemos neste planeta, como se não fôssemos parte dele. Obs. Esse também é um handicap das ciências sociais.


** A história ambiental se desenvolve no clima dos anos 1970, com as discussões e as reivindicações ambientalistas >> Anos de reavaliação e de reforma cultural em escala mundial. Também foram afetadas as ciências sociais, a economia, o direito, a filosofia, entre outras disciplinas.


** Preocupação da história ambiental >> Como os homens, ao longo do tempo, foram afetados pelo ambiente; como os homens, ao longo do tempo, afetaram o ambiente. Discute a evolução das epidemias e do clima, as calamidades naturais agravadas pela falta de antevisão, o hiperconsumo industrial, mazelas urbanas e industriais, congestionamento, poluição sonora. 

  • EUA. Um dos mais produtivos centros da história ambiental. Pioneiros: Nash e Hays. Nash recomenda que olhemos o mundo ao nosso redor como fosse um apanhado de documentos em que os americanos escrevem a respeito de si mesmos. Precursores de Nash e Hays: historiografia norte-americana a respeito da fronteira. Turner, Webb e Malin. 
  • França. Historiografia dos Annales, que há muitos anos já chama atenção para as questões ambientais. Marc Bloch (vida rural na França); Lucien Febvre (geografia social); Fernand Braudel (moldagem da vida humana nos processos de longa duração). Em 1974, foi publicada uma edição especial dos Annales dedicada à história ambiental.
** Distinção entre natureza e cultura. Embora pareça arbitrária em uma época em que todas as partes do globo são o foram direta ou indiretamente afetadas por seres humanos, trata-se de uma distinção útil para nos lembrar que há forças atuando no mundo cuja origem não está nos seres humanos (florestas, ciclos hidrológicos, derretimento de geleiras, afastamento de placas tectônicas).

** 3 grupos de questões são pertinentes à história ambiental:

  • Entendimento da natureza propriamente dita, tal como se organizou e funcionou no passado (aspectos orgânicos e inorgânicos), incluindo-se, aqui, o organismo humano.
  • Domínio sócio-econômico e suas interações com o meio ambiente. Ferramentas, trabalho, relações sociais, modos de produzir bens a partir de relações sociais e recursos naturais disponíveis.
  • Percepções, valores éticos, mitos, religiões que se tornam parte do diálogo de um grupo com a natureza.



AMBIENTES NATURAIS DO PASSADO


** As ciências naturais, apesar de possuírem uma linguagem própria bastante hermética, constituem ferramentas essenciais para a compreender a história ambiental. A química dos solos pode ter reduzido os potenciais da agricultura; oscilações de temperartura aniquilaram safras e custaram cabeças de reis.   




O historiador ambiental sempre precisa começar o seu trabalho a partir da reconstrução das paisagens do passado. 


** A Ecologia é particularmente útil ao historiador ambiental, dado que, desde Charles Darwin, ela se dedica às interações passadas e presentes, o que constitui elemento básico do processo de evolução. 

  • Encontro entre homens e vegetais. Domesticação de vegetais. 
** Aldo Leopold projetou a aliança entre ecologia e história ao defender que deveria ser realizada uma "interpretação ecológica da história". James Malin: revisão ecológica da história dos EUA.   

** Conceito-chave: ecossistemas. Englobam elementos orgânicos e inorgânicos. Olhados "de fora" (em uma escala menor), esses elementos possuem certo grau de equilíbrio. Olhados "de perto" (em uma escala maior), esses elementos estão em constante mudança. Isso é um fator que dificulta compreender o impacto real que os humanos provocam no meio.  



MODOS HUMANOS DE PRODUÇÃO


** Humanos se diferenciam dos demais animais, em especial, por serem criadores de cultura. Essa cultura -- material e imaterial -- é construída a partir de um número limitado de opções fornecidas pela natureza. Exemplo: esquimós não desenvolveram (nem poderiam desenvolver) a agricultura.


** Modo de produção: núcleo tecno-cultural de uma sociedade. No longo prazo, nenhum se adaptou adequadamente ao seu ambiente. Caso contrário, haveria pouco espaço para a história.  



PERCEPÇÃO, IDEOLOGIA E VALOR


** A natureza é uma entidade autônoma, independente dos seres humanos; mas também é uma ideia, um conceito. A história ambiental deve incluir o estudo de aspectos da estética e da ética, mito e folclore, literatura e paisagismo, ciência e religião: ela deve ir a todos os lugares em que os homens articularam o conceito "natureza".


** Ideias são socialmente construídas e refletem a organização das sociedades -- inclusive a forma como a sociedade se organiza para produzir a sua subsistência.


** História ambiental também deve englobar a história da ciência (até em decorrência dos impactos que a ciência moderna provocou no mundo natural). 


** A história ambiental retira informações das ciências naturais, mas também da teologia, da antropologia e da geografia. Ela é essencialmente interdisciplinar.

  • Semelhanças entre a geografia e a história: A geografia e a história são mais descritivas que analíticas. O geógrafo insere fenômenos no espaço, assim como o historiador insere fenômenos no tempo. O geógrafo gosta de uma boa paisagem, assim como o historiador aprecia uma boa história. 
  • Os geógrafos nos alertaram para o fato de que estamos moldando o ambiente, mais do que sendo moldados por ele.   

Esquema de leitura: NASH, R. The potential of environmental history

Universidade de Brasília – UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: NASH, Roderick Frazer. The potential of environmental history, in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990.



** No final do século XX, quase todo ambiente é um artefato, uma criação humana. Seja porque o homem o construiu, seja porque deixou que determinadas espécies permanecessem ali. Tudo é edificado, arado, plantado, cultivado. A natureza selvagem e a fronteira são apenas memórias.

Even the “natural”, or unaltered, parts of the planet are increasingly the result of human choice. Wilderness remains because we alow it to exist – in national parks and preservation systems. P. 1


** Por tais motivos, o ambiente também pode ser visto como um “documento” histórico. Ele nos conta sobre o passado, sobre as concepções presentes e tendências futuras: “Earlier generations created what we see today and our choices, recorded on the land, are creating tomorrow’s environment”. P.2.


** A história ambiental é um campo de estudos relativamente novo, que cresceu pari passu ao movimento ambientalista, da década de 1960, embora suas raízes remontem a Frederick Jackson Turner e a Walter Prescott Webb.


** Pessoas e meio ambiente se influenciam reciprocamente. Essas relações constituem precisamente o objeto da história ambiental, motivo pelo qual, nesse campo, o historiador também deve trabalhar com a biologia e com a geografia.
>> A história ambiental fornece interessantes insights a respeito da identidade nacional, dos padrões estéticos, religiosos e éticos. 
>> A história ambiental é um dos melhores contextos para se compreender os embates entre dois valores fundamentais: a liberdade individual e a intervenção social. O uso racional dos recursos naturais implica certa limitação da propriedade privada, já que os meios mais baratos de explorar a propriedade constituem, exatamente, os mais predatórios.

** Surgimento de uma ética biocêntrica, por meio da qual a natureza tem valor em si mesma. Um homem se recusaria a extinguir uma espécie pelo mesmo motivo pelo qual se recusa a matar um semelhante.
>> A ética biocêntrica estabelece limites ao liberalismo norte-americano.
>> A natureza seria a última minoria oprimida (antes: escravos, mulheres, crianças, idosos, etc.).

** A história ambiental também fornece interessantes insights a respeito da relação entre cientistas e sociedade civil, em geral. Normalmente, cientistas ocupam posições na gestão pública dos recursos naturais (administração pública). Como os especialistas convencem os não-especialistas a preservarem recursos naturais vitais?
>> Em um regime totalitário, basta proibir o acesso aos tais recursos. Mas e em uma sociedade democrática? Desafio.

** A história ambiental permite abrir a caixa da identidade nacional norte-americana construída a partir da fronteira. Qual foi o papel da abundância e das oportunidades na construção da identidade nos EUA?


** A história ambiental também propõe discussão acerca da controvérsia entre utilitarismo e interesses estéticos. Uma árvore pode ser usada como paisagem ou como fonte de madeira; um cânion pode ser usado para uma represa ou para preservação da wilderness. Mas não é possível, ao mesmo tempo, o cânion servir como represa e como preservação de wilderness. Isso – divergência nas formas de ocupar o solo – causa enormes embates políticos e sociais.  
>> Conservacionistas versus Preservacionistas.


** Erros comuns:
>> Confundir conservação e conservacionismo. 
>> Aproximar-se da história ambiental sob a perspectiva “bonzinhos” versus “malvados”. É necessário compreender o passado em seus próprios termos.

Esquema de leitura: PINCHOT, G. The birth of conservation

Universidade de Brasília - UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável - CDS
Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável - Doutorado
Disciplina: Unidades de Conservação: Ideias, Ativismo e Políticas Públicas
Professor: José Luiz Franco
Aluna: Juliana Capra Maia
Esquema de leitura: PINCHOT, Guifford. The birth of conservation. in NASH, Roderick Frazer. American Environmentalism: Readings in Conservation History. 3a. Edição, McGraw-Hill Publishing Company, USA, 1990, cap. 11.



** Pinchot graduou-se em Yale em 1889. Foi o primeiro americano a escolher a engenharia florestal como profissão. Estudou Engenharia Florestal na French Forest School, em Nancy. Retornou da Europa entusiasmado com a possibilidade de cultivar florestas como fossem um plantio. Em 1898, torna-se chefe da Divisão Florestal Federal (mais tarde denominada US Forest Service). Amigo pessoal de Theodore Roosevelt, Pinchot foi a "eminência parda" das iniciativas conservacionistas nos EUA, no final do século XIX e início do século XX.  


** Texto escrito em 1946. Orientação utilitária e democrática.


** 1907: multiplicidade de órgãos destinados a controlar as águas, a erosão, as florestas, a vida selvagem, a caça, a pesca, etc. Insight de Pinchot: tratava-se, na verdade, de gerir a adequada utilização dos recursos naturais pelos homens.


** A utilização racional dos recursos naturais deveria ser o fundamento de uma nova política pública, uma nova diretriz governamental. A política foi desenvolvida em equipe. McGee cunhou a ideia: "utilização de recursos naturais para o maior bem do maior número de pessoas e pela maior quantidade de tempo". Também McGee defendeu que o monopólio sobre recursos naturais só é pior do que a sua completa destruição. 


** Após diálogo com Pinchot, Theodore Roosevelt compreendeu a proposta de utilização racional dos recursos naturais e aplicou a ideia durante a sua administração. O lançamento do conservacionismo foi o maior legado da administração Theodore Roosevelt. 


** A nomenclatura "Conservação" veio das florestas públicas na Índia Britânica, que eram denominadas "Conservancies".


** Conservação (que ultrapassa a conservação de recursos naturais, sendo definida como "o maior bem para o maior número de pessoas pela maior quantidade de tempo").

Princípio 01 - Desenvolvimento. A principal finalidade da conservação é o desenvolvimento. Não é apenas armazenar recursos naturais para gerações futuras, mas garantir plenitude de recursos às gerações presentes. 
"Conservation does mean provision for the future, but it means also and first of all the recognition of the right of the present generation to the fullest necessary use of all the resources with which this country is so abundantly blessed. Conservation demands the welfare of this generation first, and afterward the welfare of generations to follow". P. 76. 

Princípio 02 - Preservação. Prevenção e eliminação do desperdício de recursos naturais. Exemplo: transportar mercadorias por meio de hidrovias consome muito menos ferro e muito menos carvão do que fazê-lo por estradas de ferro; controlar o fogo em florestas, mesmo que tenha origens naturais.

The first duty to the human race is to control the earth it lives upon. P. 77.

Princípio 03 - Bem comum. Os recursos naturais devem ser utilizados para o benefício de muitos, não para o benefício de poucos.

** O país dever ser "feito para durar", como o melhor lugar para se viver. Mandamento de eficiência, que, em um mercado global altamente competitivo, coincide com os interesses dos empresários e dos trabalhadores norte-americanos.

Artigo publicado em periódico. De naturalista a militante: a trajetória de Rachel Carson

Universidade de Brasília - UnB Centro de Desenvolvimento Sustentável - CDS Centro Universitário de Brasília - Uniceub Faculdade de Direito P...