quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Resenha. Palavras acerca de proteção e produção. Juliana Capra Maia

Universidade de Brasília - UnB
Centro de Desenvolvimento Sustentável - CDS
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável
Doutorado
Aluna: Juliana Capra Maia
Resenha: MAIA, Juliana Capra. Palavras acerca de proteção e produção. Revista Sociedade e Estado – Volume 31 Número 3 Setembro/Dezembro 2016, p. 877 a 882.
Referência: DRUMMOND, José Augusto Leitão. Proteção e produção: biodiversidade e agricultura no Brasil. 1ª Edição, Rio de Janeiro: Garamond, 2014.


Desde a década de 1980, José Augusto Leitão Drummond, graduado em ciências sociais pela Universidade Federal Fluminense, tem direcionado a sua formação para as ciências ambientais. Nessa direção, cursou mestrado, doutorado e pós-doutorado em proeminentes universidades norte-americanas, nominalmente no The Evergreen State College (TESC), na Universidade de Wisconsin e na Universidade do Colorado. Professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB) e consultor da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Drummond é autor ou coautor de vasta produção nas ciências ambientais. Publicou ou organizou 25 livros, publicou 65 artigos em periódicos e 31 capítulos de livros, sem que se mencionem as resenhas, as traduções, as atuações como orientador, os trabalhos publicados em congressos ou seminários. Dada a profícua produção, o autor tornou-se uma referência brasileira das ciências ambientais.
Neste ano, a Garamond Editora publicou uma das mais recentes obras de Drummond, o livro Proteção e produção: biodiversidade e agricultura no Brasil, ora resenhado. O trabalho contém, nas palavras do autor, dois ensaios “longos demais e pesquisados de menos para serem publicados como artigos em revistas científicas” e que, por outro lado, “não caberiam bem em publicações destinadas a não acadêmicos” (p. 8 e 9). O primeiro ensaio, desenvolvido entre 2009 e 2013, intitula-se “Áreas protegidas versus áreas ocupadas por atividades produtivas e infraestrutura no Brasil – há espaço para todos?”. Por sua vez, o segundo ensaio, desenvolvido entre 2010 e 2013, intitula-se “A biodiversidade como patrimônio – uma discussão social e cultural”.
Em ambos ensaios – cada um, um capítulo do livro ora resenhado – Drummond apresenta alguns dos seus posicionamentos políticos, teóricos e epistemológicos acerca de diversos temas afetos à sustentabilidade, o que auxilia o leitor na compreensão adequada das suas diversas publicações. Os textos trazem digressões acerca da justificativa e dos objetivos das terras destinadas a indígenas e a quilombolas; apresentam discussão acerca da relação entre natureza e cultura, ao tratar de temas como “biodiversidade”, “agrobiodiversidade” e “sociobiodiversidade”; elucidam as convicções do autor em relação à finalidade das unidades de conservação, ao valor intrínseco da natureza e mesmo em relação aos saberes atualmente denominados “conhecimentos tradicionais”.
No primeiro ensaio, o autor discute os usos do território brasileiro a partir de críticas ao relatório intitulado “Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista”, de autoria dos pesquisadores da Embrapa, Evaristo Eduardo Miranda (coordenador), Carlos Alberto de Carvalho, Cláudio Aparecido Spadotto, Marcos Cicarini Hott, Osvaldo Tadamoto Oshiro e Wilson Anderson Holler. O relatório discutido por Drummond, cujas conclusões vêm sendo invocadas por defensores do agronegócio, está disponível na internet desde 2008, e pode ser acessado no site http://www.alcance.cnpm.embrapa.br.
Sinteticamente, o relatório de Miranda e colaboradores sustenta que aproximadamente 70% do território brasileiro está legalmente “fechado à agricultura”, dada a sua destinação a indígenas, a quilombolas e à proteção ambiental (áreas de preservação permanente, unidades de conservação, reservas legais). Esse zoneamento do território, derivado da legislação vigente, seria, para os pesquisadores da Embrapa, desproporcional, incompatível com as atividades já consolidadas e limitaria sensivelmente o potencial de crescimento da agropecuária no Brasil, motivo pelo qual defendem a sua urgente revisão.
Drummond desfere cinco grandes críticas a esse trabalho de Miranda e colaboradores.
A primeira crítica reside no fato de que os pesquisadores da Embrapa teriam se agarrado à defesa do crescimento da fronteira da agropecuária (crescimento horizontal), desconsiderando o potencial de aumento da produtividade ou a complexificação das cadeias produtivas agropecuárias, providências que agregariam valor aos produtos finais.
A segunda crítica aponta a circunstância de que Miranda e colaboradores enfatizaram sobremaneira determinados conflitos no uso da terra e omitiram outros. É que o seu relatório chamaria atenção apenas para a incompatibilidade entre agropecuária e áreas ambientalmente protegidas, terras indígenas e terras de quilombolas. Por outro lado, ignoraria as evidentes incompatibilidades entre atividades agropecuárias e obras de infraestrutura (tais como portos, aeroportos, rodovias, linhas de transmissão de energia elétrica, gasodutos, oleodutos e respectivas faixas de domínio); entre atividades agropecuárias e áreas urbanas (tais como residências ou distritos industriais) ou entre atividades agropecuárias e áreas de mineração. Ora, obras de infraestrutura, atividades urbanas e minerárias seriam, conforme contabiliza Drummond neste artigo, atividades com representativa ocupação do território nacional. O fato de sequer terem sido mencionadas pelos pesquisadores da Embrapa seria sintomático da sua aversão, ab initio, às áreas ambientalmente protegidas, às terras indígenas às terras de quilombolas.
Como terceira crítica, Drummond salienta que Miranda e colaboradores sequer mencionaram o fato de que as atividades agropecuárias, no Brasil, ainda são praticadas mediante uso de técnicas predatórias. Para confirmar esse argumento, recupera dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, que teria classificado cerca de 200 milhões de hectares das terras brasileiras (isto é, cerca de 23% do território nacional) como áreas abandonadas, sem uso ou subutilizadas. Com essa ordem de práticas produtivas – há quase cem anos qualificadas, por Sérgio Buarque de Holanda, como “mineração do solo” – a necessidade de expansão da fronteira agropecuária tenderia ao infinito. Em outros termos, o dado da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, recuperado pelo autor da obra ora resenhada colocaria em xeque o pressuposto de Miranda e colaboradores, segundo o qual as atividades agropecuárias consistiriam a principal variável estratégica de desenvolvimento do Brasil.
O subdimensionamento da área disponível à atividade agropecuária, em decorrência da interpretação incorreta de conceitos legais, é a quarta crítica de Drummond aos pesquisadores da Embrapa. Primeiramente, o relatório não teria diferenciado as unidades de conservação de proteção integral (em que não são permitidas atividades agropecuárias) das unidades de conservação de uso sustentável (em que são admitidas atividades agropecuárias além de residência, caça, pesca, extrativismo). Desse modo, “as UCs fechadas para a agropecuária afetam apenas um terço da área alegada por Miranda e coautores” (p. 29). Ademais, as terras de indígenas e de quilombolas teriam sido equivocadamente classificadas, por Miranda e colaboradores, como “áreas fechadas à agropecuária”, quando tais atividades são legalmente permitidas nessas áreas.
Por derradeiro, Drummond salienta que as reservas legais e as áreas de preservação permanente – largamente desrespeitadas em território nacional – foram concebidas como mecanismos de viabilização, não como obstáculos para as atividades agropecuárias. Mesmo assim, contabilizando reservas legais, áreas de preservação permanente e unidades de conservação de proteção integral, o autor chegou à cifra de 54,78% do território nacional abertos à agropecuária, não nos 22,98% alegados por Miranda e colaboradores.  
Finalmente, Drummond argumenta que limitações administrativas às atividades agropecuárias são legítimas. Afinal, limitações equivalentes já existiriam, há décadas, para as cidades e indústrias: altura máxima de prédios, número máximo de andares, taxa máxima de impermeabilização do solo, recuo obrigatório, número mínimo de vagas de garagem, quantidade máxima de gases poluentes que podem ser emitidos e assim por diante. Desse modo, seriam impertinentes as queixas de Miranda e colaboradores contra as limitações à agropecuária, ligadas à defesa do interesse público.
Vale salientar que Drummond atribui méritos ao relatório de Miranda e colaboradores. Entende que se trata de um trabalho de escopo original (macrozoneamento do território brasileiro), de metodologia inovadora, com inferências ousadas e rico em dados. Não obstante, a pesquisa estaria enviesada pelo pressuposto de que o Brasil ainda é um país eminentemente agrário e de que, portanto, a agropecuária consiste na variável estratégica mais relevante para economia e sociedade brasileiras. Sob essa ótica, unidades de conservação, terras indígenas, terras de quilombolas, áreas de preservação permanente, reservas legais, entre outras limitações administrativas garantidoras do interesse público, são retratadas como vilãs que criam obstáculos para o desenvolvimento da nação. Esse viés, argumenta Drummond, faria o relatório perder boa parte de seu potencial científico e o reduziria a um pronunciamento intransigente em favor da expansão perpétua da fronteira agropecuária no Brasil.   
O segundo ensaio, intitulado “A biodiversidade como patrimônio – uma discussão social e cultural”, é construído ao redor da tese de que, em decorrência de fatores físicos, socioeconômicos e históricos, o Brasil herdou, em seu território, enorme fração da biodiversidade mundial. Essa biodiversidade (e no Brasil fala-se em “megabiodiversidade”) consiste patrimônio natural, difuso e coletivo gerado pelo processo evolutivo e cujo maior valor é a existência em si mesma. Cabe, portanto, ao Estado e ao povo brasileiro atuarem como guardiães desse commons, mediante: i. usos moderados da biodiversidade e das águas submetidas a atividades produtivas; ii. investigações científicas intensivas acerca da biodiversidade existente em território nacional; iii. preservação integral de porções de ecossistemas e biomas; iv. recuperação de áreas degradadas.
Drummond inicia a defesa desses argumentos por meio de distinções conceituais, de modo a evitar confusões que ainda perduram quando se discute meio ambiente ou sustentabilidade. Por isso, ele contextualiza o conceito de biodiversidade. Conforme informa o autor, trata-se de um termo cunhado na década de 1980 na biologia, para denotar a variedade de espécies de determinado ecossistema.
Ao longo dos anos, “biodiversidade” teria se tornado um conceito mais complexo, que envolveria não apenas: a) o número de espécies de determinado ambiente (número que inclui vegetais, animais e micro-organismos), mas ainda: b) o estado de integridade dos ecossistemas nativos nos quais as espécies se movimentam (cuja medição depende da apreensão das relações entre fatores abióticos e bióticos, bem como das relações de competição, parasitismo, cooperação e predação entre as diversas espécies); e c) o estado genético das populações naturais (cuja medição depende de coleta de amostras pesquisáveis e representativas das populações de plantas, animais e micro-organismos presentes em determinado ecossistema).
Observando os elementos do conceito, fica clara a distinção entre a biodiversidade natural e o que vem sendo denominado “agrobiodiversidade”. Para o autor, a biodiversidade natural equivale aos sistemas que nos foram legados pelo longo processo de evolução. Trata-se de sistemas independentes, exteriores e anteriores ao Homo sapiens, que dispensam manejo ou cuidados. A “agrobiodiversidade”, por outro lado, é formada de sistemas desequilibrados, construídos, manejados e simplificados em número de espécies (seleção sistemática das espécies “úteis”) de interesse do Homo sapiens. Da mesma forma, ao passo que a variedade genética da biodiversidade natural remonta a dezenas de milhares de espécies, majoritariamente desconhecidas, a variedade genética da “agrobiodiversidade” envolve apenas cerca de uma centena: estudadas, aprimoradas, domesticadas e – não raro – patenteadas. Daí se justifica o argumento de Drummond, para quem a “agrobiodiversidade”, ou seja, os “conjuntos, formações e paisagens rurais fabricadas pelo engenho humano [...] são tão naturais quanto um I-pad” (p. 100).    
A avaliação da biodiversidade de ecossistemas por meio de mera contagem de espécies existentes em determinada localidade – forma comumente praticada por cientistas e por leigos para quantificar a biodiversidade – é apontada pelo autor como causa de grandes distorções. A título de exemplo, Drummond critica os inventários faunísticos e florísticos que incluem, respectivamente, espécies exóticas de animais domésticos (porcos, galinhas, vacas, jumentos, carneiros, coelhos) e de plantas cultivadas (mangueira, jaqueira, macieira, cafezais, oliveiras, algodoeiros), acidental ou propositalmente introduzidas por humanos nas localidades estudadas, como parte da “biodiversidade” local. Esse tipo de tratamento conduz à equivocada conclusão de que a introdução de espécies exóticas por meio da agricultura ou da pecuária enriquece a biodiversidade.
Por derradeiro, Drummond alerta que a restauração dos ecossistemas – o que não deve ser confundido com a recuperação de áreas degradadas – é tarefa que ainda está fora do alcance do Homo sapiens. Descreve, como caso paradigmático, as tentativas de restauração de ecossistemas temperados e de biodiversidade pobre levadas a efeito ao longo de mais de 80 anos na Universidade de Wisconsin, onde fez seu doutorado. Não obstante disporem de condições praticamente ideais – longo lapso temporal, mão-de-obra abundante, conhecimento, dinheiro e um número relativamente pequeno de espécies a recuperar – os cientistas responsáveis pelo Arboretum da Universidade consideram que obtiveram sucesso tão-somente moderado na tarefa de restaurar os ecossistemas originais.
Em suma, não haveria quaisquer motivos para acreditar que eventual recuperação da biodiversidade natural brasileira, muito mais complexa e desconhecida do que aquela encontrada nas pradarias geladas de Wisconsin, seja de mais fácil, rápida ou barata operacionalização. Assim, Drummond aconselha cautela e humildade no trato com a biodiversidade natural, especialmente com a -- riquíssima – biodiversidade tropical.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Anotações pessoais: Palestra acerca da lei 13.303/2016 - PG/DF

Companhia Imobiliária de Brasília - Terracap
Controladoria Interna/Coint
Divisão de Auditoria/Diaud
Palestra a respeito da Lei 13.303/2016 
Palestrante: Dr. Marlon Tomazette, da PG/DF
Empregada: Juliana Capra Maia
Anotações pessoais



** Aplicação às empresas públicas, sociedades de economia mista, além das respectivas empresas subsidiárias e controladas. Todas são consideradas "Estatais", de primeiro, segundo e terceiro graus.
  • Aplicação parcial da Lei 13.303/2016 às empresas públicas e sociedades de economia mista cujo faturamento não ultrapasse R$ 90 milhões. 
  • Dúvida: o "valor de alçada" se aplica à empresa/sociedade de economia mista individualmente considerada ou ao grupo empresarial?



** A Lei 13.303/2016 é dividida em duas grandes seções >> 
a) Governança
b) Licitações e contratos com as empresas públicas


** Publicação da norma: 01/06/2016. Polêmica. Vigência. Aplicação imediata ou vacatio de 2 anos contados da publicação? 
  • Solução do palestrante: Aplicação imediata para as novas empresas públicas e 2 anos de adaptação para as empresas públicas já existentes?Entende o palestrante que não faz sentido prever modificações tão extensas e não conferir o prazo necessário à adequação. 
  • Os doutrinadores divergem. Há, inclusive, representação contra a Terracap por não ter observado a Lei 13.303/2016 para a nomeação dos seus conselheiros (o que ocorreu no segundo semestre de 2016). 


** Adoção de "boas práticas" de governança corporativa >>
  • Transparência ativa
  • Prestação de contas
  • Compliance
  • Responsabilidade social


** Elaboração e publicação obrigatória de documentos e instrumentos de planejamento >> 
  • Carta de compromisso da Diretoria, fixando as diretrizes de curto, médio e longo prazo.
  • Política de contratação com partes relacionadas. Maior problema, no caso da Terracap: disciplinar o relacionamento entre o DF e a Terracap. Lembrando que o DF só pode contratar com as estatais em condições equivalentes às de mercado.
  • Política de remuneração de dirigentes.
  • Política de distribuição de dividendos.
  • Relatório de sustentabilidade


** Acompanhamento, aprovação e reprovação das contas >>
  • Conselho Fiscal E Comitê de Auditoria.
  • Requisito principal para constituir o Comitê de Auditoria: Independência. 


** Compliance >> Cumprimento da lei. A lei 13.303/2016 criou a necessidade de um órgão de compliance autônomo, com status de diretoria, distinto do Comitê de Auditoria. 



** Fiscalização das empresas públicas e sociedades de economia mista >>


COMITÊ DE AUDITORIA + DIRETORIA DE COMPLIANCE + CONSELHO FISCAL + CONSELHO ESTATUTÁRIO PARA INDICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE MEMBROS DA DIRETORIA COLEGIADA



** Estabelecimento de um Código de Ética e de Integridade, aplicável a empregados, dirigentes e a terceirizados >>
  • Padrão geral a ser fixado pelo GDF.


** Função social da empresa pública: Artigo 27 da Lei 13.303/2016.



** Abusos do acionista controlador. A Lei das S.A já previa responsabilidades por atos de abuso de poder perpetrados pelo sócio controlador. 



** A Lei n. 13.303/2016 ratifica a previsão e estabelece que sociedade, sócios (independentemente de %) e terceiros interessados são partes legítimas para ajuizar, no prazo de 06 (seis) anos, ação de responsabilidade em face do sócio controlador.  



** CONAD e DIRET: fortemente impactados pela Lei 13.303/2016, Artigo 13.



** CONAD >> Mínimo de 7 e máximo de 11 anos; 25% de conselheiros independentes (não pode ser empregado, terceirizado ou dirigente da empresa); 01 representante dos empregados; 01 representante dos sócios minoritários, ao menos.
  • Requisitos:
a) Experiência de 10 anos em empresa da mesma área ou conexa; ou
b) 04 anos em cargo de gestão 02 níveis hierárquicos abaixo dos de diretor; ou
c) 04 anos de experiência como pesquisador na área; ou
d) 04 anos de experiência como profissional liberal; ou
e) 04 anos em DAS 4 ou +;
 E
f) Formação acadêmica compatível com o cargo; e
g) Ficha limpa; e
h) Sem conflitos de interesse com a empresa pública o sociedade de economia mista em questão; e
  • Impedimentos: Ministros, Secretários de Estado, Parlamentares, ocupantes de cargo público sem vínculo permanente com a Administração Pública, pessoa que tenha firmado contrato com o controlador, dirigentes de sindicato, coordenadores de campanhas eleitorais (últimos 36 meses) e respectivos parentes em até terceiro grau.


** CONFI >> 
  • 03 a 05 membros; 
  • mandato unificado de até dois anos; 
  • máximo de 2 reconduções (total de 06 anos de mandato); 
  • formação acadêmica e experiência profissional.
  • No mínimo um servidor com vínculo efetivo com a administração.


** Comitê de Auditoria >>
  • Avaliar a gestão da empresa, escolher auditores;
  • Recebe diretamente as denúncias;
  • Reuniões bimestrais, no mínimo;
  • Maioria independente;
  • Pelo menos um integrante com conhecimento em contabilidade societária.


** Órgão de compliance >>
  • Liderado por diretor;
  • Não é o comitê de auditoria, mas uma unidade autônoma;
  • O diretor de compliance pode se reportar diretamente à presidência.


** Comitê para análise da regularidade das nomeações dos conselheiros e para a avaliação do seu desempenho >> dentro da empresa?



** Contratações administrativas >>
  • Vale para editais publicados após 01/07? Não há consenso.
  • As estatais poderão utilizar o RDC (inversão das fases de habilitação e julgamento).
  • Novidade: regime de contratação integrada. 
  • Dispensa e inexigibilidade: novos valores máximos. Discricionariedade do Conselho de Administração (com motivação). 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Esquema de leitura: Rumo ao Paraíso, cap. 01 a 04, McCormick

Centro Universitário de Brasília - Uniceub
Faculdade de Direito
Pós-Graduação em Direitos Sociais, Ambiental e do Consumidor
Monografia Final
Esquema de Leitura: MCCORMICK, John. Rumo ao Paraíso: a história do movimento ambientalista. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1992, cap. 01 a 04.


INTRODUÇÃO

** Ambientalismo: o maior movimento social já visto >>>
  • Se tomarmos os números de filiados às entidades ambientalistas, concluiremos que o ambientalismo é o maior movimento de cidadãos de que já se teve notícia.
  • Com milhões de adeptos em todo o mundo, trata-se de um movimento necessariamente heterogêneo quanto às ideologias, às preocupações temáticas, às estratégias e formas de ação. 
  • Influência política relevante, nacional, regional e mundialmente. Alteração de normas em quase todos os países da Terra; surgimento de "partidos verdes"; reavaliação das prioridades econômicas.  

** Ambientalismo como revolução conceitual >>> 
  • Em pouco mais de duas décadas, pressupostos adotados por séculos foram subvertidos: os recursos naturais passaram a ser encarados como finitos, ou seja, o uso irresponsável da biosfera, em última análise, põe em risco a própria sobrevivência da espécie humana. 
  • Com a ciência (e, acrescento, a comunicação de massas), a deterioração ambiental passou a ser percebida por um número cada vez maior de pessoas. Formação de um certo "consenso" sobre explorar racionalmente os recursos naturais.
  • Os primeiros grupos de proteção à natureza foram constituídos na Grã-Bretanha, na década de 1860. Nos EUA, preservacionistas e conservacionistas emergiram na virada do século XIX para o século XX. A "revolução ambiental", contudo, só ocorreria após a Segunda Grande Guerra, em especial depois de 1962.


CAP. 01. AS RAÍZES DO AMBIENTALISMO.

** Não há marcos claros pra o início do ambientalismo. O movimento não foi engendrado por um líder ou por um grupo específico para depois se espalhar pela Terra. Ao contrário, nasceu de forma episódica, intercalando períodos de atividade e períodos de dormência.
  • Europa, século XIX. Preservacionistas se levantam contra a derrubada dos poucos remanescentes florestais que sobreviveram à agricultura e à indústria. 
  • EUA. Entre 1620 e 1870 as florestas forneceram a maior parte da energia e do material primário de construção, mas os conhecimentos a respeito de manejo florestal eram pífios. Discussão acerca da forma de exploração dos recursos naturais situados a Oeste dos Apalaches. Romantismo: fascínio pela biologia e pelo mundo natural. Henry David Thoreau e George Perkins Marsh. 1864: Transferência do Vale Yosemite e o Mariposa Grove para o Estado da Califórnia, com a condição de que permaneceriam como áreas de lazer. 1872: Criação do Parque Nacional de Yellowstone.
  • Colônias das Américas, da África e da Oceania. Disciplina metropolitana sobre os recursos naturais: tentativa de controlar as colônias (e os colonos) política e economicamente.

** Grã-Bretanha. Ambientalismo como reação tardia da Era Vitoriana ao industrialismo. Pessimismo em relação à indústria, que agora não é mais vista como a grande provedora, mas como fonte de novos conflitos, como causadora da degradação humana contemplada nas grandes cidades (Charles Dickens e Friedrich Engels).
  • Era das descobertas científicas. 
  • Difusão do interesse pela história natural que, por sua vez, revelava as consequências da exploração da natureza pelo homem. 
  • A história natural praticada entre os séculos XVI e XVIII lançou os fundamentos da botânica e da zoologia dos séculos XIX e XX. 
  • A história natural acabou se transformando em um passatempo popular da Era Vitoriana. Estudar e contemplar a natureza era encarado como ato de devoção, que conduzia o homem para mais perto de Deus.
  • A obra de Charles Darwin contribuiu para difundir a ideia de que o ser humano era uma entre outras espécies. 
  • Zelo humanitário: cruzada contra o tratamento cruel dispensado aos animais. A Sociedade Protetora dos Animais, fundada em 1824, direcionou os seus esforços inicialmente ao combate contra a crueldade dirigida aos animais domésticos. Pouco tempo depois, passou a defender também os animais selvagens. Apoio das classes médias e altas da Grã-Bretanha.
  • 1860. Movimento (majoritariamente feminino) contra a matança de gaivotas para a exploração das plumagens.

** Estados Unidos da América.
  • Entre 1620 e 1870 as florestas forneceram a maior parte da energia e do material primário de construção, mas os conhecimentos a respeito de manejo florestal eram pífios. 
  • Romantismo: fascínio pela biologia e pelo mundo natural. Negação de pressupostos teológicos. O equilíbrio natural não poderia ser quebrado sem graves consequências para os homens.
  • Henry David Thoreau e George Perkins Marsh. 
  • 1864: Transferência do Vale Yosemite e o Mariposa Grove para o Estado da Califórnia, com a condição de que permaneceriam como áreas de lazer. 
  • 1872: Criação do Parque Nacional de Yellowstone.
  • Cisão entre preservacionistas e conservacionistas. 
a) Os preservacionistas (afinados com o protecionismo britânico) buscavam reservar grandes áreas para o uso recreacional e educacional. John Muir. Criação do Sierra Club. Compromisso com a preservação de áreas virgens e de grande beleza cênica.
b) os conservacionistas (afinados com as técnicas alemãs de manejo de recursos naturais) estavam mais preocupados com a exploração racional dos recursos naturais. Filosofia utilitarista. A conservação deveria se basear em três princípios: o desenvolvimento, a prevenção do desperdício e o uso dos recursos naturais para o bem de muitos, não para o bem de poucos. Gifford Pinchot.
  • 1934 a 1937. Dust Bowl. Mais de duzentas tempestades de poeira atingiram as grandes planícies dos EUA. O conservacionismo passa, então, a atuar a partir de uma perspectiva ecológica mais abrangente e coordenada. 


CAP. 02. 1945 a 1961

** Após a Segunda Guerra, houve abertura às discussões internacionais (criação da ONU, criação da FAO, criação da UNESCO), o que favoreceu o ambientalismo.
  • Assistência técnica da FAO aos países menos desenvolvidos. Transferência de técnicas para a proteção do solo, das águas, para a exploração racional das florestas. 
** 1948. Preocupações concernentes à relação entre crescimento populacional e exaustão de recursos naturais. 
  • Our Plundered Planet (Fairfield Osborn) e Road to Survival (William Vogt). Relação entre decadência civilizacional e carestia de recursos naturais (Osborn). Administração dos recursos naturais dos EUA com base nas leis de mercado, não na capacidade dos ecossistemas (Vogt).
  • Os EUA saíam de duas longas décadas de carestia para inaugurar o consumo em números sem precedentes (consumo de massas). Não havia "clima" para discussões apocalípticas. Elas pareciam inverossímeis.


** Fundação da IUPN (International Union for the Protection of Nature) no seio da UNESCO. 


  • Não foi produto de um movimento popular, mas sim criação de uns poucos entusiastas.
  • Híbrido de órgãos governamentais e não-governamentais.
  • Sua função seria promover a preservação da vida selvagem e do ambiente natural. Deveria promover o conhecimento público das questões ambientais, a educação ambiental, a pesquisa científica e a legislação ambientais, e coletaria, analisaria e divulgaria os dados e informações pertinentes à sua área de atuação.
  • Problemas: pouco dinheiro (normalmente, vindo apenas da UNESCO), poucos dados científicos, pouco trânsito internacional com atores-chave.
  • 1956. Decisão da União de mudar seu nome (principalmente devido à influência americana) para lnternational Union for Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN).
  • Ao longo de sua primeira década, ficou claro que as políticas preservacionistas da IUCN eram inadequadas à realidade do Pós-Guerra. Resposta: African Special Project. Convenção de Arusha.


** WWF - WORLD WILDLIFE FUND
  • Consórcio registrado na Suíça. Fundado como clube de mantenedores da IUCN, constituído de membros ricos e diversos tipos de apelos nacionais. Rapidamente enveredou por um caminho paralelo (e não somente auxiliar) ao da IUCN.
  • Custeava projetos em cinco categorias: a) espécies individuais; b) áreas virgens; c) apoio a organizações existentes; d) educação para a conservação e; e) questões "variadas" de conservação.
  • O WWF também representava diretamente a governos em prol de causas ambientais. 
Em algum momento no final dos anos 50 e começo dos anos 60 as circunstâncias conspiraram para dar surgimento a um novo movimento de protesto, baseado nas preocupações com o estado do ambiente humano e com as atitudes humanas em relação à Terra. A natureza e os recursos naturais deixaram de ser a única preocupação; o novo movimento abrangia tudo, desde a superpopulação e a poluição aos custos da tecnologia e do crescimento econômico. O Novo Ambientalismo ia além do mundo natural; questionava a própria essência do capitalismo.


CAP. 03. A REVOLUÇÃO AMBIENTALISTA (1962-1970)

** Ocorreu entre 1962 e 1970. 500 mil cópia de Silent Spring vendidas em 1962; 300 mil americanos marcharam no Dia da Terra em 1970. Já haviam começado os preparativos para a Conferência de Estocolmo.



"As preocupações de uns poucos cientistas, administradores e grupos conservacionistas floresceram num fervente movimento de massas que varreu o mundo industrializado".


** Ocorreu entre 1962 e 1970. 500 mil cópia de Silent Spring vendidas em 1962; 300 mil americanos marcharam no Dia da Terra em 1970. Já haviam começado os preparativos para a Conferência de Estocolmo.


** Novo Ambientalismo >>>
  • O Novo Ambientalismo não se caracterizava por ser um movimento social centralizado, organizado e homogêneo. Antes, era um conjunto de organizações e de sujeitos que tinham variadas motivações e tendências, objetivos aproximadamente semelhantes e, frequentemente, divergências metodológicas.
  • As preocupações do Novo Ambientalismo ultrapassaram a utilização racional dos recursos naturais e a proteção a espécies ameaçadas. A própria sobrevivência humana estava em jogo. A hecatombe ambiental provocaria o colapso das civilizações humanas.
  • Os novos ambientalistas queriam que sua militância obtivesse impacto político (não somente econômico ou filantrópico, características do conservacionismo e do preservacionismo clássicos).
  • O movimento continha elementos de anarquismo, evangelismo, reforma social, reforma política.

** Concausas do surgimento do Novo Ambientalismo >>>
  • Os efeitos da afluência;
  • A era dos testes atômicos;
  • A publicação de Silent Spring;
  • Desastres ambientais bastante divulgados;
  • Avanços nos conhecimentos científicos;
  • Influência de outros movimentos sociais.

** Efeitos da Afluência >>>
  • EUA dos anos 1950: frutos da política keynesiana. Tempos de calma, equanimidade, consenso e afluência aparentes. Conforto material e lazer crescente. Recuperação econômica das empresas que haviam declinado na Grande Depressão. Crença de que o governo era capaz de resolver problemas como poluição, más condições de vida e desemprego. 
-- Havia, contudo, descontentamento latente: desigualdades socioeconômicas, medo da automação.   

"O tempo de lazer aumentado e uma maior prosperidade ajudaram a deslocar a atenção da acumulação e da fruição de segurança material, e o próprio conforto da existência de classe média serviu para atrair a atenção para a desigualdade social. Os jovens estavam alarmados com a perspectiva de conflito nuclear".
-- Os defeitos da sociedade afluente ficavam cada vez mais óbvios, em especial, por suas consequências ambientais. Cresceram as aspirações das pessoas, em relação a como deveria ser o meio ambiente.

** O Advento da Era Atômica >>>

  • A precipitação nuclear provocada pelos testes atômicos foi a primeira questão ambiental global do pós-guerra.
  • Entre 1945 e 1962 ocorreram 423 detonações nucleares pelos EUA, URSS, Grã-Bretanha e França. A URSS realizou a primeira detonação de uma bomba atômica em 1949. Os EUA lançaram o seu programa de testes em 1951; a Grã-Bretanha em 1953; a URSS em 1953; a França em 1960. 
  • Tratado de proibição parcial de testes nucleares >>> Primeiro fruto das negociações pela erradicação dos testes atômicos. Foi assinado somente em 1963. Colocou fim aos testes atmosféricos realizados por URSS, EUA e Grã-Bretanha. Pode ser considerado o primeiro acordo ambiental global, dado que constatou que a tecnologia atômica poderia causar contaminação ambiental irrestrita e que todos poderiam vir a ser afetados. O documento faz uma primeira alusão ao conceito de meio ambienta global e problemas ambientais universais.
  • Custos ambientais dos testes nucleares: 
1) chuva de granizo radioativa, na costa da Austrália (1952); 
2) chuva radioativa no Estado de Nova Iorque (1953); 
3) cinzas radioativas sobre as Ilhas Marshall (1954), derivadas da explosão de uma bomba de hidrogênio. Contaminação de 18 mil km 2 de oceano. Contaminação de pescadores japoneses de uma embarcação denominada Dragão Afortunada. Contaminação dos peixes que, subsequentemente, chegaram aos portos japoneses.
4) Nos EUA, a quantidade de armamentos nucleares era tão altas que havia receio de que problemas de comunicação pudessem provocar uma guerra acidental. 

** Rachel Carson e Silent Spring >>>

  • A publicação de Silent Spring é apontada como o evento isolado mais frequentemente apontado como significativo para a gênese da revolução ambiental.
  • A matéria tratada por Carson (abuso de pesticidas, sem pesquisa suficiente, provocando danos ambientais de difícil mensuração) comoveu a opinião pública e chamou a atenção do Presidente Kennedy. Após Silent Spring, os pesticidas se tornaram preocupação pública em toda parte. Substâncias citadas no livro foram proibidas ou limitadas em diversos países. 
  • Em maio de 1963, o Comitê de Consultoria Científica da Presidência dos EUA emitiu um relatório corroborando as principais conclusões de Silent Spring. Agora, ninguém mais podia negar que o problema existia.


** Desastres ambientais e alarme público >>> O período entre 1962 e 1970 foi marcado por diversos desastres alardeados ao grande público, o que potencializou o discurso ambientalista. Apesar da ocorrência de desastres ambientais semelhantes  em períodos anteriores (Donora, por exemplo), a reverberação dos desastres pela mídia de massas tornou-se intensa após 1962, mesmo em função do aumento da sensibilidade pública aos problemas ambientais. 
  • Outubro de 1966. Desabamento de uma pilha de resíduos de mineração sobre o povoado de Aberfan, País de Gales. Resultou na morte de 144 pessoas, 116 das quais crianças da escola local.  
  • Março de 1967. Naufrágio do petroleiro Torrey Canyon. 117 mil toneladas de óleo cru se espalharam, poluindo centenas de quilômetros do litoral da Cornualha. A utilização de detergentes não testados para diluir o óleo aumentaram o dano biológico. O acidente revelou os riscos do transporte de petróleo, a fragilidade do Estado e da Ciência para lidar com desastres ambientais.
  • 1968. 714 derramamentos de petróleo no oceano, somente em águas estadunidenses.
  • Janeiro de 1969. Jorro de óleo, fora de controle, oriundo da plataforma de petróleo da Companhia Union Oil, na costa de Santa Barbara, Califórnia. Até julho de 1969, o vazamento continuou espalhando poluição por quilômetros do litoral californiano. Atingiu uma área habitada por classes sociais abastadas, que protestaram veementemente.
  • 1969. Mais de 1000 derramamentos de petróleo no oceano, somente em águas estadunidenses. Final da década de 1970: mais de 10 mil derramamentos, anualmente.
  • Final da década de 1960. A poluição alcançava níveis alarmantes no Japão: "O smog fotoquímico afligia as conurbações e se havia espalhado em direção ao campo, a baía de Tóquio estava seriamente poluída e a produção e o consumo de massa criaram uma sociedade do desperdício - cerca de 10% do lixo de Tóquio era plástico"
  • Minamata, Japão. Desde 1939 ocorriam despejos de catalisadores contendo mercúrio na baía de Minamata. Desordens neurológicas começaram a ser detectadas em famílias de pescadores a partir de 1956. Altas concentrações de mercúrio foram encontradas nos peixes pescados na baía, que eram consumidos por animais e habitantes locais. A empresa química responsável negou envolvimento no problema mas, em 1963 e 1964, pagou pequenas indenizações às famílias atingidas.
  • 1971. Nügata, Japão. As vítimas de uma empresa química que despejava mercúrio nas águas fluviais obtiveram reconhecimento do dano e indenização judicial.
  • 1973. Minamata, Japão. As vítimas de Minamata obtiveram indenizações razoáveis da empresa química poluidora.

** Avanços no conhecimento científico >>> Até como resposta às críticas desferidas contra o movimento, crescimento do novo ambientalismo ocorreu paralelamente ao crescimento do conhecimento científico em matéria ambiental.
  • 1964. Lançamento do Programa Biológico Internacional. "Promover o estudo internacional da produção orgânica, o potencial e usos de recursos naturais novos e existentes e a adaptação do ser humano às condições em transformação".
  • Aumento da cooperação científica internacional no estudo dos ecossistemas.

** Influência de outros movimentos sociais >>> 
  • Ativismo público. As décadas de 1950 e 1960 concentraram grandes mobilizações populares, especialmente de jovens.
  • Primeiras questões nos EUA: pobreza e racismo. Inicialmente, os protestos dos negros e dos pobres nada tinha a ver com o ambientalismo. Os negros e os pobres brigavam por empregos, por igualdade de oportunidades, por educação e direitos civis. A pauta ambientalista, por sua vez, incluía demandas consideradas não essenciais, tais como a proteção da vida selvagem. Mas o movimento de negros e pobres mostrou a força dos protestos de massas.  
  • Ligações entre o movimento pelo desarmamento nuclear e o movimento ambientalista. Ambos buscavam o controle racional e humano sobre a poderosa tecnologia atômica. Nos anos 1970, era difícil dissociar as campanhas contra as armas nucleares das campanhas contra a energia nuclear. 
  • Ligações entre o pacifismo e o movimento ambientalista. Protestos contra a Guerra do Vietnã. Somente no ano acadêmico de 1967-1968 houve 221 protestos em 101 campi de universidades dos EUA. Divisor de águas: 1968.  
"A preocupação e sensibilidade aumentadas dos estudantes criaram uma clientela receptiva a todas as questões em que o sistema social e econômico dominante parecia estar atuando contra um ideal. Da mesma maneira que a discriminação racial e a imoralidade da guerra do Vietnam pareciam sintomáticos de uma enfermidade do sistema, a degradação ambiental pareceu ser um item igualmente aceitável na agenda de protesto".  
  • Movimento hippie: encarnou o antiestablishment do ambientalismo norte-americano, que pregava o retorno às áreas virgens como solução para escapar do consumismo, do materialismo e do industrialismo.
  • Os ativistas se voltaram para o ambientalismo no final dos anos 1960, quando os movimentos por direitos civis e contra a guerra do Vietnã perdiam impulso. Muitos dos jovens que apoiavam o ambientalismo haviam sido introduzidos no ativismo por meio de experiências em outras campanhas de protesto.

** Não mais uma crise silenciosa >>>
  • Por volta de 1970, ocorreu uma revolução das atitudes em relação ao meio ambiente, motivada pela afluência, pelo descontentamento dos jovens, pelos desastres de primeira página e por tendências sociais e econômicas mais amplas.
  • O Novo Ambientalismo chegou a seu ápice em 22 de abril de 1970, quando a maior manifestação ambientalista da história, o Dia da Terra, foi realizada nos Estados Unidos.
  • A Terra como nave espacial, com recursos finitos e suprimentos vulneráveis de ar e de solo. Noção graficamente reforçada pela 
    publicação em 1966 das primeiras fotografias da Terra, as quais 
    mostravam o planeta como um oásis solitário, finito e aparentemente vulnerável no espaço. 
"Por volta de 1970 a crise ambiental não era mais uma crise silenciosa. Um novo movimento de massas tinha surgido e uma nova questão estava começando a encontrar seu caminho para a agenda das políticas públicas. Evidências científicas crescentes confirmaram muitos dos temores de ativistas e ecologistas amadores; a raça humana estava usando rapidamente seu estoque de recursos naturais e empestando seu ninho durante o processo".


CAP. 04. OS PROFETAS DO APOCALIPSE (1968/1972)

** Clima de alarme. Aparecimento de teóricos e filósofos ambientais que focavam a sua preocupação em três questões: poluição, crescimento populacional e tecnologia. Paul Ehrlich; Barry Commoner; LaMont Cole; Eugene Odum; Kenneth Watt; Garret Hardin.
  • Essay on Population, 1798-1803, Malthus. População cresce em PG; alimentos crescem em PA. A questão dos limites físicos ao crescimento foi enfrentada por Thomas Malthus, David Ricardo, John Stuart Mill, W. Stanley Jevons, Karl Marx e Friedrich Engels.
  • Population Bomb,1968, Paul Ehrlich. Superpopulação versus limite de recursos naturais e de produção de alimentos.
  • The Closing Circle, 1971, Barry Commoner. A poluição se deve não tanto ao crescimento econômico ou populacional, mas ao uso de tecnologias ambientalmente inadequadas: uso de sintéticos, produtos descartáveis, pesticidas e detergentes.
  • A Tragédia dos Comuns. Garret Hardin (biólogo). Conclui que o homem deve ser coagido a respeitar um senso de responsabilidade comunitária porque, racionalmente, ele não o adotaria voluntariamente.


** Os Limites do Crescimento (The Limits to Growth>>>
  • Relatório elaborado por técnicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology), e publicado em março de 1972. Coordenação de Dennis Meadows.
  • Encomenda do Clube de Roma, uma associação livre de cientistas, tecnocratas e políticos, fundada em 1968.
  • Cinco fatores básicos foram identificados como determinantes e, em última análise, limitadores do crescimento: população, produção agrícola, recursos naturais, produção industrial e poluição. Conclusões:
(a) "Se as tendências existentes de população mundial, poluição, industrialização, produção de alimentos e exaustão de recursos continuassem inalteradas, os limites do crescimento no planeta seriam atingidos dentro de cem anos. O resultado mais provável seria um declínio súbito e incontrolável tanto na população quanto na capacidade industrial".  
(b) "Era possível alterar essas tendências de crescimento e atingir um estado de estabilidade econômica e ecológica que fosse sustentável por muito tempo no futuro. O estado de equilíbrio global poderia ser planejado de modo que as necessidades materiais básicas de cada pessoa na Terra fossem satisfeitas e cada pessoa tivesse uma oportunidade igual de concretizar seu potencial humano individual"
(c) "Se as pessoas do mundo decidissem se empenhar para chegar a esse segundo resultado e não ao primeiro, quanto mais cedo começassem a trabalhar para atingi-Io, maiores seriam as chances de sucesso"
  • A decadência da civilização ocorreria já a partir do final do século XX.
  • Os autores do relatório recomendavam, entre outras medidas, uma redução de 40% no investimento industrial, uma redução de 20% no investimento agrícola, uma redução de 40% na taxa de natalidade e uma transferência maciça de riqueza dos países ricos para os pobres.


** A Blueprint for Survival >>>
  • Edward Goldsmith. Publicado no Ecologist no começo de 1972. Influenciado pelo "The limits to growth".
  • Premissa semelhante àquela do modelo do MIT, de que "se for permitido que as tendências atuais continuem, o colapso da sociedade e a ruptura irreversível dos sistemas de sustentação da vida neste planeta (...) são inevitáveis".
  • Recomendações: redução no uso de pesticidas e fertilizantes, manejo eficiente dos esgotos, redução dos dejetos industriais, proteção dos recursos genéticos, contabilidade social (poluidor-pagador), estabilização do crescimento populacional e criação de um novo sistema social descentralizado.


** Respostas ao The Limits to Growth >>>
  • Ao final dos anos 70, aproximadamente 4 milhões de cópias de The Limits to Growth haviam sido vendidas, em 30 idiomas.
  • O relatório The Limits to Growth, em si, tornou-se tema de diversas discussões acaloradas. A sugestão de congelar o crescimento econômico era o principal ponto de discordância.
  • 1972. Universidade de Sussex, Grã-Bretanha. Principal crítica contra The Limits to Growth. Argumentos: 
-- Carência de dados;
-- Pressuposições feitas sobre as relações entre variáveis. Simplificação excessiva. Material insuficiente para orientar a realização de políticas; 
-- Fetichismo do computador, induzindo neutralidade onde ela não existe. O relatório The Limits to Growth teria escolhido pressuposições conforme entendimento previamente existente; 
-- Desprezo em relação à economia e à sociologia.
-- A averiguação de limites físicos para o crescimento não considerava os limites políticos e sociais. Discutir não-crescimento em um mundo com tanta pobreza era inviável. 
  • Maior mérito de The Limits to Growth e dos "Profetas do Apocalipse", em geral: despertar o debate público das questões ambientais. 
A Síndrome do Apocalipse 
Poucos críticos do apocalipse foram mais indignados do que Thomas R. Shepard, Jr., o editor da revista Look. Em seu notável livro de 1973, The Doomsday Lobby, em co-autoria com Melvin Grayson, ele permitiu claramente que a revolta o desviasse do caminho da razão. Invectivas particularmente violentas eram dirigidas a Silent Spring. Os dois homens argumentavam que o livro era um ataque à comunidade empresarial, um ataque ao progresso científico e tecnológico, um ataque aos Estados Unidos e um ataque ao próprio homem. Rachel Carson tornara-se a porta-estandarte do estandarte da "brigada acadêmica de esquerda". Milhões de norte-americanos haviam comprado o livro "tão avidamente quanto as Hausfrauen rechonchudas da Bavária haviam comprado o lixo de Adolf Hitler e, em grande parte, pelo mesmo motivo". Em 1961, relataram, houve 110 casos registrados de malária no Sri Lanka (então Ceilão) e nenhuma morte; em 1968, houve 2,5 milhões de casos e dez mil mortes. Muitos acreditavam, escreveram Greyson e Shepard, que esses novos casos e mortes poderiam ser atribuídos, em grande medida, ao impacto de Silent Spring, por ter levado a uma proibição do DDT. Era, eles escreviam, "O Livro Que Matava". 
O prêmio Nobel Norman Borlaug (pai da Revolução Verde) finalmente acabou integrando-se à refrega, denunciando os "ambientalistas histéricos" por tentarem impedir o uso de produtos químicos agrícolas. "Se for negado à agricultura", continuava, "o uso de produtos químicos agrícolas por causa de uma legislação imprudente que está sendo agora promovida por um grupo poderoso de lobbysts histéricos, os quais estão provocando o medo ao prever o apocalipse para o mundo através de envenenamento químico, mundo estará condenado não por envenenamento químico, mas pela fome." 
Além dessas visões, havia evidências crescentes do surgimento do que Killian chama de um "movimento contra-social". As Filhas da Revolução Americana achavam que o Dia da Terra era subversivo; [...] havia a questão da "poluição versus folha de pagamento", na qual muitas indústrias ameaçadas argumentavam que não poderiam continuar a operar se fossem forçadas a se adequar a controles ambientais severos e que portanto muitos de seus empregados perderiam seus empregos.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Anotações pessoais. Palestra sobre a lei 13.303/2016.

Companhia Imobiliária de Brasília, Terracap
Controladoria Interna
Divisão de Auditoria
Palestra a respeito da Lei nº 13.303/2016
Palestrante: Luís Pontes
Anotações pessoais



** Espinha dorsal da Lei, a respeito da estrutura das empresas públicas:
  • Conselho de Administração
  • Auditoria
  • Conselho Fiscal
  • Riscos e controles
  • Conduta e integridade
  • Gestão e transparência
  • Diretoria 

** Conselho de Administração: 
  • 7 a 11 conselheiros.
  • 25% de conselheiros independentes.
  • Exigências quanto à experiência profissional, formação acadêmica e hipóteses de inelegibilidade.
  • Vedado a determinados cargos como, por exemplo, empregado de órgão regulador, atuação em partido político (36 meses), atuação em organização sindical e fornecedor da empresa pública.
  • Incumbência de promover anualmente análise de atendimento das metas e resultados dos planos de negócios e estratégias da empresa pública. 
  • O Conselho de Administração é responsável por IMPLEMENTAR as práticas de governança e controle interno. Ou seja, os membros do CONAD não serão responsáveis somente pelo acompanhamento e fiscalização, mas pela efetiva implantação das medidas.

** Comitê estatutário:
  • Responsável por analisar as indicações dos membros do CONAD e da Diretoria Colegiada.
  • Responsável por avaliar o desempenho dos dirigentes das estatais.
  • Sugestão do palestrante: O GDF poderia fazer um único Comitê Estatutário, responsável por todas as empresas públicas. Um Comitê Estatutário unificado permitiria uniformizar os critérios de avaliação dos dirigentes das empresas estatais. Também permitiria reduzir esforços e evitar retrabalho. 

** Auditoria Interna e Comitê de Auditoria: 
  • A Auditoria Interna torna-se unidade orgânica obrigatória.
  • Exigência de um Comitê de Auditoria diretamente vinculado ao Conselho de Administração. 
  • O Comitê de Auditoria deve possuir meios para receber denúncias a ele diretamente encaminhadas. 
  • Mínimo de 03 e máximo de 05 membros, no Comitê de Auditoria.
  • Os membros do Conselho de Administração não podem integrar o Comitê de Auditoria. Pelo menos um dos membros do Comitê de Auditoria deve possuir conhecimentos de contabilidade.
  • O Comitê de Auditoria deverá possuir orçamento anual próprio ou orçamento definido por projeto. A ideia é garantir a independência do conselho.

** Conselho Fiscal: 
  • Apenas analisará a situação fiscal da Companhia. Não será mais um "super conselho" com poderes de auditar.
  • Os componentes do Conselho Fiscal devem demonstrar o exercício de 03 anos de cargo de direção ou assessoramento. 
  • Mandato de 2 anos, admitidas 2 reconduções.
  • Pode conter membro indicado pelo controlador, servidor do quadro.

** Riscos e controles: 
  • Adoção obrigatória de práticas de gestão de risco, controle interno e governança.
  • Área de verificação de cumprimento de obrigações, de gestão de riscos e de implantação de boas práticas administrativas.
  • Vinculação ao presidente e liderada por diretor estatutário.
  • Atuação independente prevista em estatuto. Trata-se de uma unidade com atuação independente em relação ao Conad, à Diretoria Colegiada e ao Conselho Fiscal. As avaliações do Diretor de gestão de risco, controle interno e governança devem ser livres. Não é área operacional, mas uma área de assessoramento.
  • Necessidade de atualizar o estatuto social das estatais, para criar a diretoria de gestão de riscos. 

** Conduta e Integridade: 
  • Elaboração e divulgação de Código de Conduta e Integridade. Obrigatório.
  • Exigência de instância interna responsável pela atualização e aplicação do Código de Conduta e Integridade.
  • Exigência de canal de denúncia que possibilite o recebimento de denúncias internas e externas.
  • Previsão de sanções no caso de violação às regras do Código.
  • Realização de treinamento periódico anual sobre o Código de Conduta e Integridade. Procedimento obrigatório.

** Gestão e transparência: 
  • Divulgação do estatuto social, atualizado conforme a Lei 13.303/2016.
  • Elaboração de estratégia de longo prazo com análise de riscos e oportunidades, atualizados, para os próximos 05 anos. Deve ser apresentada até a última reunião ordinária do Conselho de Administração do ano anterior. Subsidiará a avaliação dos diretores pelo CONAD.
  • Divulgação de qualquer forma de remuneração dos administradores.
  • Realização de avaliação de desempenho individual e coletiva, inclusive de diretores.
  • Elaboração e divulgação de políticas.
  • Divulgação de informações referentes à distribuição de dividendos e às transações com partes relacionadas.
  • Relatório Integrado de Sustentabilidade. Ex. GRI. Instrumento anual compulsório.

** Diretoria: 
  • Cidadãos de reputação ilibada, notório conhecimento no setor e função que desempenhará. Requisitos semelhantes aos exigidos para a nomeação de conselheiros.
  • Requisitos de experiência profissional comprovada, formação acadêmica e respeito às hipóteses de inelegibilidade.

Artigo publicado em periódico. De naturalista a militante: a trajetória de Rachel Carson

Universidade de Brasília - UnB Centro de Desenvolvimento Sustentável - CDS Centro Universitário de Brasília - Uniceub Faculdade de Direito P...